Avós na educação dos filhos
Os avós ocupam um lugar muito especial na vida das crianças. Eles oferecem colo, tempo e memória, ingredientes que ampliam o repertório emocional e dão sentido às histórias da família. Quando esse afeto caminha junto de limites claros e combinados com os pais, a infância ganha estabilidade e segurança.
Içami Tiba lembra que amar e educar caminham juntos. Carinho sem direção pode desorganizar; regra sem afeto esfria o vínculo. O equilíbrio está em poucas combinações, ditas do mesmo jeito por todos: dormir em horário adequado, cuidar da alimentação, respeitar as pessoas e o espaço da casa. A criança precisa dessa previsibilidade para se sentir protegida e livre para explorar.
Diferenças entre as casas existirão, e isso é natural. Cada casa tem seu jeito: rotinas, horários, limites. Para a criança, o que mais importa é a coerência: regras simples, previsíveis e repetidas pelos adultos, pais e avós, com afeto e firmeza.
A literatura pediátrica destaca que o cuidado “centrado na família” funciona melhor quando todos os cuidadores combinam expectativas e se apoiam mutuamente. Para a criança, é fundamental contar com uma base firme: afeto constante, rotinas previsíveis e adultos que falam a mesma língua nos pontos essenciais (sono, segurança, alimentação). Quando pais e avós caminham juntos, a infância ganha mais colo, mais história e mais equilíbrio.
Em muitas famílias, os avós estão na linha de frente do cuidado. Isso pode ser muito protetivo quando há diálogo com a escola e apoio de profissionais de saúde e educação. Atualizar práticas, como rotinas de sono, uso de telas e organização do estudo, reduz o estresse do dia a dia e favorece a saúde e a aprendizagem.
Mimos não “estragam” por si só. O que desorganiza é quando o agrado vira regra e quebra as rotinas que sustentam a criança. Reconhecer a boa intenção, descrever o efeito bom ou ruim) e refazer o acordo preserva a relação e ensina responsabilidade. Com as crianças, nomear sentimentos e oferecer duas escolhas possíveis: banho antes ou depois da história, por exemplo, fortalece a autonomia com base segura.
Um quadro simples na geladeira ajuda: horários de dormir e acordar nos dias de aula, onde e quando usar telas, o que “sempre tem para comer” e o que é “só às vezes”, além de lembrar que pedir com gentileza, agradecer e reparar quando errar fazem parte da convivência. A regra de ouro é a mesma: a criança tenta primeiro; o adulto apoia.
Não existe família perfeita; existe parceria. Quando pais e avós caminham do mesmo lado, cada um com seu estilo, mas com o mesmo norte, a criança cria raízes de segurança e asas de autonomia para crescer com confiança e alegria.