Nutrição

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Quem está ensinando seu filho a comer?

Descubra como a família pode fazer a diferença em meio à influência das redes sociais!
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A educação alimentar das crianças não acontece mais apenas à mesa. Redes sociais, influenciadores e publicidade também estão formando gostos, hábitos e opiniões sobre comida.

Uma criança vê um vídeo de alguém preparando uma receita e pede para experimentar o prato. Um adolescente assiste a um conteúdo sobre emagrecimento e decide cortar o pão. Outro passa a tomar determinado produto porque um influenciador diz que ele é indispensável para quem quer “ter mais energia”.

Nada disso acontece necessariamente durante uma refeição, mas tudo isso também ensina a comer.

Durante muito tempo, a formação dos hábitos alimentares de uma criança esteve concentrada em alguns ambientes: principalmente a família e a escola. Hoje, existe uma espécie de sala de aula permanente dentro do celular. E que funciona todos os dias.

A comida que aparece na tela
Redes sociais não apresentam apenas informações. Elas também apresentam modelos de comportamento.

Uma criança ou adolescente pode descobrir novos alimentos, receitas e maneiras de cozinhar por meio da internet. Isso pode ser positivo e até estimular a curiosidade e a autonomia.

Mas a mesma tela também pode apresentar dietas restritivas, desafios alimentares, produtos vendidos como “milagrosos”, promessas de emagrecimento e uma associação constante entre alimentação e aparência.

O problema é que nem sempre é fácil distinguir informação de publicidade, opinião pessoal ou conteúdo produzido para gerar engajamento.

Um influenciador pode falar sobre a própria experiência com determinado alimento ou dieta. Isso não significa que aquela estratégia seja adequada para todas as pessoas.

Quando uma criança ouve repetidamente que determinado alimento “engorda”, que outro é “proibido” ou que comer alguma coisa precisa ser compensado depois com exercício, ela pode começar a construir uma relação de culpa com a comida.

A alimentação passa a ser julgada apenas pelo efeito sobre o corpo e isso é  particularmente delicado na adolescência, período em que a preocupação com aparência, pertencimento e aceitação social aumenta significativamente.

Por isso, conversar sobre alimentação não significa apenas ensinar o que comer, mas, também , ensinar a pensar sobre o que se come.

O exemplo começa em casa
Diante de tanta informação, pode parecer que os pais perderam espaço, mas melhor seria dizer que o seu papel mudou.

Além de decidir o que chega à mesa, os adultos precisam ajudar os filhos a interpretar aquilo que chega pela tela.

“Quem está dizendo isso?”
“Essa pessoa é especialista no assunto?”
“Ela está vendendo alguma coisa?”
“De onde veio essa informação?”


Perguntas como essas ajudam crianças e adolescentes a desenvolver senso crítico sem transformar toda conversa sobre alimentação em uma aula de nutrição.

A criança observa quando o pai ou a mãe faz uma dieta atrás da outra, elimina grupos alimentares, demonstra culpa depois de comer ou classifica determinados alimentos como “proibidos”.

Mas também observa quando a família cozinha, experimenta novos sabores, respeita a fome e a saciedade e consegue desfrutar de uma refeição sem transformar comida em prêmio ou castigo.

Perseguir uma alimentação perfeita pode criar uma relação pouco saudável com a própria comida. Uma pizza no fim de semana não determina a qualidade da alimentação de uma família. Da mesma forma, comer uma salada em uma refeição não compensa automaticamente uma rotina alimentar desequilibrada. Afinal, hábitos são construídos ao longo do tempo.

Nem proibir, nem acreditar em tudo
Controlar completamente o que uma criança vê na internet é praticamente impossível, principalmente à medida que ela cresce e proibir qualquer conteúdo sobre alimentação também pode não ser a melhor estratégia.

O melhor a fazer é acompanhar, conversar e questionar, levando seus filhos a não acreditarem automaticamente em tudo o que é apresentado.

Então, resumindo: a questão mais importante não é descobrir quem está ensinando seu filho a comer, mas sim perceber o que ele está aprendendo sobre comida, saúde e sobre o próprio corpo. ???????


E ajudar a construir uma relação com a alimentação que tenha menos culpa, menos medo e mais informação, autonomia e equilíbrio.

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