História >> Redemocratização e República Nova
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Introdução
A ditadura militar no Brasil teve início com o golpe militar de 31 de março de 1964 e chega ao fim com a eleição do civil Tancredo Neves, em 1985.
Durante esse período o Brasil teve cinco presidentes e uma junta governativa. Em 1967, com a promulgação da nova constituição brasileira, a ditadura foi legalizada e, junto com ela, várias práticas autoritárias, como a perda das liberdades individuais e a censura. Através dos Atos Institucionais, os cidadãos perderam seus direitos civis e individuais, os partidos foram dissolvidos e mandatos de deputados contrários ao regime, cassados. Muitos dos que se opuseram ao regime foram presos e, frequentemente, torturados. Em diversos casos, os oposicionistas desapareceram, deixando suas famílias em luto e desespero.
Clique nas imagens para obter informações.
Introdução
De 1969 a 1973, no governo Médici, o I Plano Nacional de Desenvolvimento (PND - 1972-1974) estabeleceu metas ambiciosas de crescimento econômico para o Brasil, aproveitando a conjuntura internacional favorável. Nesse período, o Brasil cresceu mais depressa que os demais mercados latino-americanos, no que foi chamado de "milagre econômico". Com a abertura do país ao capital estrangeiro, dezenas de empresas multinacionais se instalaram no Brasil e os grandes fazendeiros passaram a produzir para exportação. O desemprego caiu e obras de infraestrutura avançaram sobre o país. Entretanto, todo esse crescimento teve um alto preço e os empréstimos feitos no exterior geraram uma dívida externa enorme, deixando o Brasil numa crise econômica.
Em 1974, inicia-se o processo de abertura e transição para a democracia. O Presidente Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. Em 1978, temos a Lei da Anistia que concede o retorno a brasileiros anistiados.
As greves do final da década de 1970 e as eleições diretas para cargos eletivos e governadores mostraram como os militares conduziram de forma lenta, gradual e segura o processo de redemocratização.
Diretas Já
O movimento "Diretas Já!" teve início em 1983, e tinha como principal objetivo as eleições diretas para o cargo de Presidente da República. Tornou-se um dos movimentos com maior apoio popular da história do Brasil. Milhares de pessoas saiam às ruas pedindo "Diretas Já!".
Partidos como o PMDB, PDS (atual PSDB) e PT e suas lideranças, políticos como Lula, Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Suplicy, Tancredo Neves, José Serra, Leonel Brizola, Mário Covas apoiaram a causa.
Veja no vídeo o que foi uma dessas passeatas.
Diretas Já
Diversas passeatas, comícios e manifestações tomaram conta do país. Entretanto, dois comícios foram marcantes. O de 10 de abril de 1984, no Rio de Janeiro e o de 16 de abril, em São Paulo reuniram mais de 1 milhão de pessoas nas ruas pedindo Diretas Já!.
Clique nas imagens para ampliá-las.
Diretas Já
E como acabou?
Apesar disso, a proposta foi rejeitada e Tancredo Neves foi eleito por voto indireto para Presidente da República e Sarney como Vice-Presidente. Entretanto, a campanha "Diretas Já!" não foi em vão e teve grande importância na redemocratização do Brasil. As lideranças do movimento passaram a formar os novos integrantes da elite política do Brasil.
O Deputado Dante Oliveira foi
o autor da emenda à constituição que pedia o voto direto a presidente.
Governo Sarney
Eleito de forma indireta, isto é, por um colegiado, Tancredo Neves foi escolhido para ser o novo presidente do Brasil. No entanto, em 14 de março de 1985, um dia antes de sua posse é internado às pressas e morre no dia 21 de abril de 1985.
Governo Sarney
Em 15 de março de 1985, José Sarney, seu vice, assume em meio a muitas desconfianças, pois apoiou a ditadura e depois se uniu a políticos conservadores.
Governo Sarney
No campo econômico, a implementação do Plano Cruzado trouxe uma grande euforia à população. Sarney congelou os preços e conseguiu um aumento do consumo. Só que em seguida, a falta de produtos traz de volta a inflação e a recessão.
Fiscais do Sarney
Capa da Veja Sobre o Plano Cruzado
Governo Sarney
Outros dois planos: o Plano Bresser e o Plano Verão tentam retomar o controle da economia com o congelamento de preços e salários. Entretanto, os dois fracassam, e a crise financeira e a recessão continuaram. Muitos chamam a década de 1980 de Década Perdida.
Sarney concluiu o projeto de redemocratização, com a promulgação da Constituição Brasileira, as eleições diretas e com a entrega da faixa ao novo presidente eleito Fernando Collor de Melo.
Governo Sarney
A Constituição de 1988
"Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil"
Ulisses Guimarães, então presidente da Câmara dos Vereadores
Original da Constituição no Museu do STF
Sessão da Constituinte.
Governo Sarney
Apesar da década de 1980 ser considerada a "década perdida", o Brasil teve um grande ganho nessa época: a Constituição de 1988. Promulgada em 5 de outubro de 1988, ganhou o apelido de "Constituição Cidadã", uma vez que ela é a mais completa da história brasileira e garante a cidadania a todos os brasileiros, depois de anos de ditadura e repressão.
Dentre as garantias aos cidadãos podemos citar:
– o direito ao voto, inclusive dos analfabetos;
– voto facultativo para os jovens entre 16 e 18 anos;
– os direitos trabalhistas passaram a valer para todos os tipos de trabalhadores;
– os trabalhadores passaram a ter direito a greve e a liberdade sindical;
– licença maternidade e licença paternidade;
– seguro desemprego;
– abono de férias;
– redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais;
– décimo terceiro salário para os aposentados;
– férias remuneradas com acréscimo de 1/3 do salário.
